Jamais aprecemos as coisas...
O natural movimento basta.
Página pós página se dobra, se vira à brisa da vida, no devido tempo, enquanto escorre célere a areia da ampulheta. Quando muito uma vírgula para que respirar possamos, ponto.
Ponto final é incógnita, no fim do pensamento descansa-se.
Nem sombra amena nem escuridão plena. Luz.
Luz sobre a terra, é isso que queremos.
Miremos o amanhecer, o crepúsculo, fitemos sempre
toda a luz na sua essência
sem indício de fim sugestivo.
Silenciamo-nos.
Do nada que diziamos silenciamo-nos.
E nos entreolhamos sorridentes e mudos.
a borboleta espiã... a serviço da psiquiatria, quem sabe!
Talvés.
Não sei se me orgulho ou me envergonho das loucuras que não cometi...
Sempre por falta de coragem ou pirraça.
Sempre fui omisso quando não submisso...
Mas vou vivendo nem alegre nem triste, às vezes, infitamente alegre por estar triste, por que mais forte que a tristeza é uma alegria oculta que em mim existe. Se do contrário fosse nem mesmo a tristeza deixar-me-ia triste. E a alegria, por mais alegre fosse não seria mais que uma alegria triste.
A loucura é doce porque temos domínio sobre seu paladar. Podemos dosar o amargo a tal ponto torná-lo mais doce que o doce amargo da doçura. Doçura que só se encontra na essência do amargor da ternura, no misto doce que compõe o sabor da amargura. O que é a vida senão uma misttura de sabores que nos engorda e faz crescer, nos fortalece para morrer? Enquanto vida temos, pois, depois da vida só a morte. E a morte é nada. Do contrário morte seria vida, ascensão. E toda filosoifia de ascensão que conhecemos é luz,, promessa, futuro, amanhã. Escuro por escuro, vazio por vazio, basta a negritude em si: o negativismo, o preconceito, o racismo, a soberba, o monstro megro que devora a consciência.
Silenciamo-nos para que do silêncio nos absorvéssemos.
A borboleta espiã a serviço da psiquiatria, talvés. Pairando como as pipas sob o céu mineiro no fim da tarde. Ou como nuvens que se projetavam para divertir nossos olhos. Talvés, essas borboletas, nuvens de inoscência, íntima, absorva nossos pensamentos tal qual crianças nos deixamos absorver e ser absorvidos pelas nuvens migrantes. E talvés a psiquiatria nos entenda sem nos absorver quando não possível nos é nos absorvermos sob núvens turbulentas.
A incerteza é um desafio para o homem, é um incógnita para o futuro a projetar-se na sua metamorfose incessante.
A borboleta lembrou-me minha pipa e o campo, e o campo o campo; a amplitude, o horizonte: o horizonte sensível, o visual, o racional; o alto, a brisa... estações.
O que vem após o segundo pensamento é filho com toda essência e superioridade do mesmo. Soberania plena de decisão.
O inseto fora ineficiente, nada dissemos; a psiquitra sim, sem camuflagem na consulta, direta.
O paciente vive, pensamos. Seu estado, louco, é a minha lucidez nítida, pensei, coitado.
Espiamono-nos espiões.
O paciente mais paciente; a própria paciência se deslumbraria horrorizada.
A traquéia firme, as sondas presas, o oxigênio circula e a alma aspira.
Quanto vale uma porção de ar? Quanto nos vale aspirar?
Sobre o fio da navalha quedamo-nos. São duas horas. Quedamo-nos almas, homens, insetos, incertos. Tanta certeza deixa o homem inseguro.
Se a luz se apaga...
Antes quero ver flores na laranjeira, aquelas.
O fio da navalha sobre o qual nos equilibramos é mais fino que a espada que degolamos o próprio pescoço. Por isso doi tanto viver; por isso vivemos.
Nem sombra nem escuridão; luz sobre a terra,
é isso o que queremos.
As oportunidades existem
domingo, 14 de junho de 2009
sábado, 27 de dezembro de 2008
Vento na pereira
Vento na Pereira
Ao meio dia o vento sacudiu a árvore
A árvore estremeceu ao ver
Oscilar entre as
folhas arrancadas pelo vento
Um rebento que não era seu.
O homem sempre hesita
_ por mais maduro seja_
Na impossibilidade de conter o vento,
Que dirá o
tempo! que dita a sua peleja, que
Com suas mãos
pesadas ajunta e colhe,
Estolhos expostos ao
tempo
E consome a sua
beleza.
Há meio dia; e
vento sacode a árvore
A árvore sacode o homem
O homem sacode os
tempos
O tempo a tudo revira
E colore novos rebentos.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Sentido
Tudo ficou sem sentido
O amanhecer, a matiz...
A brisa de boas-vindas
O alvorecer alegre, sinfônico, o fumo do vale
E o verde a se revelar.
Tudo ficou mais triste.
Mais triste!...
A rosa ficou mais triste;
O beija-flor prateado, entretanto, balouçando balouçando
Fez-se o hálito aromático
E o orvalho cobrindo as sempre-vivas, vivas
E as trepadeiras chorando envolto à esquadrilha reverencia...
O céu límpido.
Nada como uma ilusão sem cor.
Nada mais triste!
Humildes girassóis!... Olhar apaixonado...
Tudo ficou sem sentido
O canto dos pássaros
Sons de asas;
Todo movimento ficou sem sentido,
Mais triste. E qual é o sentido de triste?
Além da tristeza em si
Triste é tudo que existe no sentido
Sem sentido.
Sem sentido ficou tudo;
Não de repente,
Não por acaso
ao acaso ficou triste;
Na penumbra, ao crepúsculo, no ocaso,
Tudo ficou triste, sem sentido...
Sem Sol.
Os passos pela rua
Os postes inertes, mas que incomodam
A calçada inclinada, as escadas íngremes, a espera...
O tempo é mais longo porém,
Sem sentido, o tempo de espera espera.
No instante em que tudo ficou sem sentido, tudo fez sentido:
A solidão!
Os versos de Camões,
A métrica,
A ilusão,
Visão caolha.
http://solpoesia.blogspot.com
Criado em 26/12/2008 16:55
O amanhecer, a matiz...
A brisa de boas-vindas
O alvorecer alegre, sinfônico, o fumo do vale
E o verde a se revelar.
Tudo ficou mais triste.
Mais triste!...
A rosa ficou mais triste;
O beija-flor prateado, entretanto, balouçando balouçando
Fez-se o hálito aromático
E o orvalho cobrindo as sempre-vivas, vivas
E as trepadeiras chorando envolto à esquadrilha reverencia...
O céu límpido.
Nada como uma ilusão sem cor.
Nada mais triste!
Humildes girassóis!... Olhar apaixonado...
Tudo ficou sem sentido
O canto dos pássaros
Sons de asas;
Todo movimento ficou sem sentido,
Mais triste. E qual é o sentido de triste?
Além da tristeza em si
Triste é tudo que existe no sentido
Sem sentido.
Sem sentido ficou tudo;
Não de repente,
Não por acaso
ao acaso ficou triste;
Na penumbra, ao crepúsculo, no ocaso,
Tudo ficou triste, sem sentido...
Sem Sol.
Os passos pela rua
Os postes inertes, mas que incomodam
A calçada inclinada, as escadas íngremes, a espera...
O tempo é mais longo porém,
Sem sentido, o tempo de espera espera.
No instante em que tudo ficou sem sentido, tudo fez sentido:
A solidão!
Os versos de Camões,
A métrica,
A ilusão,
Visão caolha.
http://solpoesia.blogspot.com
Criado em 26/12/2008 16:55
domingo, 9 de novembro de 2008
Gratidão
Sílabas de sombras e luzes;
Nas manhãs perdidas
Se amam os compadecidos.
Vejo; caro é o amanhecer aos desiludidos,
A mim espelho de ontem e hoje
De sonhos doirados no obscuro amanhã
De campos imaginários
De sucessos inacessíveis
De histórias e poemas
Em verso doce de música e fantasias.
Sonhar é livre.
Grato sou, por este sol;
E por esta suave brisa.
Nas manhãs perdidas
Se amam os compadecidos.
Vejo; caro é o amanhecer aos desiludidos,
A mim espelho de ontem e hoje
De sonhos doirados no obscuro amanhã
De campos imaginários
De sucessos inacessíveis
De histórias e poemas
Em verso doce de música e fantasias.
Sonhar é livre.
Grato sou, por este sol;
E por esta suave brisa.
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