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As oportunidades existem

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Carta ignorada

A carta...

Bem quisera tê-la escrito para outro fim,
que não para esse começo de triste destino
que encerra o ingênuo amor,
tão meigo e tão fino,
ao teu desprezo e à minha solidão.

Por
amor e cortesia; Bom dia, Sol!
Eu adoro te dizer essa frase: “bom dia!” e
deixar o coração
concluir com sua alegria.

Concordar em afastar-me
de ti abateu-me o espírito.
Muito me custa tal decisão.
Teus conselhos,
bem quisera nunca tê-los ouvido.
No entanto pretendo cumprir o prometido.
Porei em prática teus conselhos;
Aliás, já tomei algumas iniciativas,
mas já me pesam as conseqüências.

Naquela manhã de chuva em que você
disse sim,
para que eu me afastasse, me refugiei
na intenção de a
ninguém agredir
com minha cara sisuda e melancólica.

Ninguém merece
ter de suportar a carranca de um velho errôneo,
sentimental, que não sabe
controlar suas emoções; Não é mesmo?
Foi então que pensei: talvez ela me
conceda um último pedido.

Por isso, hoje que só teremos provas, a
importuno com esta carta
que pode ser longa, mas pesso que considere a
situação,
visto que não mais deseja minha voz, meu olhar, flores...
e
menos ainda minha companhia.

Por isso, por favor, leia.
Eu apenas
quero tentar dizer o que num diálogo me foi negado.
Diálogo; coisa que até
os inimigos se concedem.

Por favor, entenda; é importante para a minha
paz.
Este será o último ato inconveniente do homem estranho que sou.
Depois de tê-la escrita e sabê-la lida por ti, vestirei a máscara da
hipocrisia e render-me-ei ao cafajeste comum, ao qual odeio, mas, que existe
dentro de cada humano, e que é, a propósito, mais aceitável à grande massa
social.
Vou tentar ser o inverso do que sou, daí, quem sabe serei até mais
simpático, ou menos irritante.


E queira deus, nem mesmo eu me
reconheça.
Desde já agradeço pela atenção.





Olá,
felicidade!


Bom dia, sol!
Que a mão do tempo e o hálito do amor
mantenham o seu deslumbrante brilho, e sempre viva a flor da alegria que perfuma
sua vida.

Desde a infância eu declamo ao sol; “Bom dia sol, bom dia!”,
mesmo que a estrela gigante se faça invisível ou chova. É a frase perfeita para
se começar o dia. Nela consiste a essência para o começo, _ saudação, votos,
louvor, prenúncio e fé de otimismo bíblico e panglossiano. Porém eu a declamo só
e mentalmente desde... Até que te conheci.

Minhas palavras sempre causam
constrangimento; talvez pela espontaneidade com que meus sentimentos se
manifestam. Por isso converso silenciosamente
.
Para certas mentes
maliciosas eu tenho um tipo de desequilíbrio psíquico, conseqüentemente, desvios
de comportamento. Só o amor incondicional dos pais se sobrepõe às esquisitices
de um filho; outrem estranham à criança que fala sozinha, que admira as flores,
as auroras e crepúsculos, os horizontes, as sombras, à noite, e que fala às
águas e voa... e inventa histórias para contar a si mesmo. Consideram-na
retardadas.

E ela cresce assim, como eu, incrédula e confusa, cheia de
perguntas e sem respostas, triste e solitário, questionando as verdades
religiosas: como origem, existência e pecado.

Ser religioso é bom e
necessário. Mas para o ser humano comum, um mortal, ser um religioso sincero
como convém é quase que impossível, caso ele queira cumprir o compromisso pelo
qual veio ao mundo; viver. Os conceitos, as normas, a ética, os dogmas, são
algemas que nos aprisiona, para que a consciência invasora nos flagele, e
lentamente nos leva à morte.

Pelas travessuras infantis entre meninos e
meninas, pelas peraltices e sonhos juvenis, pela bênção da virilidade e pelo
milagre do prazer, do imenso gozo de viver a vida na sua plenitude, Deus
rejeitaria os próprios filhos? Para isso nos criou sensíveis; para viver.

Sim, temos de nos manter saudável, puros, limpos e dignos, porque o
corpo é templo divino, e a vida é Deus em nós se deixando guiar pelo nosso livre
arbítrio; porque Ele se orgulhou tanto de sua obra que se aderiu a nós para
provar o prazer da sensibilidade plena. E quando amamos inocentemente permitimos
que Deus deleite-Se em nós sob os encantos da sensibilidade humana. Assim se
manifesta a humilde natureza; entrega-se à vida.

Eu cresci assim, com
idéias e comportamento estranho, tentando ao máximo evitar me corromper pela
falsidade de idéias convenientes ao meio e deteriorantes ao princípio.

Vivo como um ramo que pensa e respeita as ervas vizinhas, mas evita
deixá-las interferir na sua natureza para não modificar na sua essência o fruto.
Escolhi a doutrina do amor que é o Deus verdadeiro do meu universo. Eu O
conheço, e Ele conhece a mim, e somos um só, único; e é o Deus verdadeiro de
toda a humanidade que o procurar. A doutrina é: “Seja amor, tenha amor, doe
amor, faça amor”.Ser puro é ser honesto consigo mesmo. O amor tem essas
características, é como o sol, mesmo triste e sombrio, ainda assim ilumina o dia
e alimenta a vida.

Desculpe-me. Deixemos de lado as glórias e decepções
do passado, e minha excêntrica filosofia, senão isso tornar-se-á numa maçante
autobiografia. Meu propósito é apenas te tranqüilizar. Não sou uma ameaça,
apenas me enamorei por ti. Poderia até dizer que te amo, pois, na verdade te
amo, mas não posso ostentar brilho a esse amor se você não o deseja exuberante
ou simplesmente vivo.
“To be or not to be”, eis a questão, eu o quero vivo e
resplendente. Este amor é um marco importante na minha vida, e eu tenho direito
e obrigação de senti-lo independente que seja venturoso ou infeliz. Não quero
importuná-la; só quero que saiba que você me inspirou este sentimento divino que
muito me valoriza, a mim e a você, e principalmente valoriza a vida.

Nos
rastros que deixei pelo caminho tem sinais de êxito que superam os fracassos.
Tenho filhos maravilhosos e meus sonhos de felicidade transcendem, e eu ainda
existo. Meus sonhos híbridos de filosofia, após longo período de hibernação,
tocados por um raio de luz de esperança, me levaram até você. Acordo e percebo
que o sol brilha e eu estou vivo, e que sou capaz de amar, por conseguinte, a
felicidade pode estar no amanhã assim como a vejo hoje nos seus olhos e no seu
abraço. Talvez eu tenha te conhecido tarde demais. Talvez cedo...

Ou
talvez na hora certa. Para descobrir isso precisamos permitir que nossos corpos
se entendam, porque o corpo físico com o corpo físico se entende, e o espírito
ao seu semelhante o busca e se une livremente, porque espírito não se prende a
leis nem matéria, e sim, ao sentimento que nós pensamos erradamente ter a
habilidade de o manipular.

Foi visão mágica, a primeira vez, entrar por
aquela porta e ver você. Foi causa e efeito instantâneo. Agora, mesmo que me
afaste a causa, o efeito subsistirá. Primeiro tive medo, depois uma sensação
indescritível. Uma espécie de gozo e desfalecimento...
E um perfume
inebriante, indiscernível, que me penetrou no cérebro e tornou-se mensageiro
pressagioso do meu pensamento, porque que o sinto antecipadamente a cada vez que
penso em você ou você vai estar fisicamente presente.

Seria lindo, não
fosse a dor que também vem lentamente e cresce decididamente, e passa, passa,
some devagarzinho; e meus olhos lacrimejam, escoa, choram livremente porque não
consigo reprimi-los. É uma dor sem origem que vem do nada e a qualquer hora. É
como uma brisa perfumada e errante que me causa arrepio. Você já sentiu algo
assim?
Alegria. A cada bom dia eu penso: “Meu deus que mulher linda!”, e
desejo tocar seu rosto...
E ter diante de mim um sol sensível, que sorri,
que fala, e no olhar revela o paraíso para onde eu me transponho numa paz
estável que renova a cada generosidade do seu olhar, é alegria. Uma alegria
triste, suave e triste.

No seu rosto decifrei logo meu destino: é
cultuá-lo eternamente. Purifiquei-me e perfumei mãos e pensamentos, fiz voto de
fidelidade ao meu amor, tal deveria ser um servo orgulhoso e digno a qualquer
percepção de sua deusa. Quisera ter continuado em segredo...
Mas veio
dádivas e dádivas imerecidas: A amizade, os sorrisos... Meu Deus, o teu olhar! É
como se você também tivesse me amando...

Mas ao chega o fim de semana,
eu sinto uma terrível angústia, e o pressentimento de nunca mais vê-la me
arrasa, por isso sinto uma necessidade urgente de dizer que te amo.

No
quinze foi a consagração, a glória da minha felicidade. Aquele abraço... Tinha
vida nos seu abraço; calor e paz. Eu flutuava, e afinal soube o que é ser feliz.
Obrigada!
Foi o primeiro abraço de aniversário da minha vida, e foi no qual
senti existir mais amor e sinceridade.

E enquanto a violência
aterrorizava São Paulo, eu no meu egoísmo exagerado soprei a vela e fiz o
pedido: “Meu deus, que este Sol nunca se apague!” Foi o que pedi. Terá Deus se
revoltado por tamanha pretensão e egoísmo?

Sim, foi ousadia, mas foi
inocente. Eu pedi a Deus, você, iluminado pra sempre a minha vida, e eis que
como no esplendor milagroso de um dia de inverno, na hora em que ostenta toda
beleza do sol reacendendo a vida, me aquecendo com carinho, uma nuvem negra veio
eclipsar a benção da luz. As palavras que eu disse foi esta nuvem que a
encobriu. Eu não deveria ter dito o que sentia. Faltou-me sabedoria, no
silêncio, vos na atitude, e malícia.
Eu sei; não tenho classe. Não sou bom
nisso; me falta estilo.

O abandono é ainda o preço que pago por não
saber portar-me diante tão ilustre companhia. Reconheço suas razões de
preocupação e lamento ter revelado meu sentimento à pessoa alheia. Eu precisava
desabafar e talvez tenha escolhido a pessoa errada. Mas sempre tive consciência
da impossibilidade de ser correspondido. E bem sei, não saberia o que fazer se o
fosse. O que eu faria por você, tendo você ao meu lado? O que eu tenho para te
dar além do meu amor? Nem mesmo em gaiola dourada se prende pássaro tão belo e
precioso. Silenciaria sua alegria e entristeceria seu canto. Apagaria seu
brilho.

Sabendo que você é tão feliz no teu ninho dourado, de certa
forma, eu também fico feliz, embora invejoso e enciumado. Mas tua felicidade me
basta. A minha ambição era só as migalhas, os reflexos da sua presença, o que
evapora da sua emoção, a sua alegria, a sua luz. Eu só aceitaria ter você se
tivéssemos amor recíproco e igual coragem para admiti-lo, mesmo que fosse na
aventura de uma noite de total entrega; ou se me desejasse como eu te desejo.

Sou um sonhador, mas sou consciente. Jamais destruiria seu lar, sabendo
que você é feliz, porque eu valorizo a felicidade no amor conjugal visto que não
a tenho. Mas peço, por favor, a você e a Deus, não me omita sobre o seu
sentimento e a sua felicidade. Eu te quero te quero, muito muito muito, não
tenho um templo, um palácio, nem recursos financeiros, nenhuma posse, e nenhum
atrativo físico, eu diria, mas eu te tenho amor na medida exata.

Vivo
rodeado de fantasmas que me atormentam: complexos, dúvidas,... Dúvidas quanto à
verdade do ser humano que sou. Vivo uma situação mal definida e não sei como me
sujeito a tal relacionamento de convivência tão desgastante e desaconselhável,
até perigosa.
Reconheço minha fraqueza, mas agora o amor me despertou; e vou
reagir.

Vou te poupar saber da minha rotina e meu comportamento sexual,
porque continuo um adolescente, cheio de vigor, entretanto ingênuo e
inexperiente, que sonha com a mulher do próximo para ter prazer. A mulher a quem
amo me quer, ou melhor, só me queria como amigo-irmão e agora me ignora
completamente, quer que eu me afaste...
E eu a desejo cada vez mais, mais
ardentemente, e fica cada vez mais difícil esconder este tesão que não se
satisfaz com o freqüente auto-erotismo. Onanismo não é a solução, mas fico entre
onanista ou freqüentador de prostíbulo, e prostíbulo, infelizmente, nunca foi
meu lugar favorito para prazer e diversão.

Eu te procuro na intimidade
da solidão do meu quarto, mas já te sinto em mim a todo instante, por onde vou,
onde quer que eu esteja. Daí, é só pensar e... Tenho um gozo lento e infinito,
que não morre, apenas adormece.
Mas depois sinto um vazio imenso. E se
procuro mulheres me sinto sujo, envergonhado, arrependido, e infiel a você.
Parece absurdo; é difícil entender.
Mas tenho um gozo especial, um êxtase
extraordinário que acontece quando penso em você e visualizo seu rosto em minhas
mãos, e a acaricio mirando seus olhos por longo tempo, você sorri, eu a beijo...
e gozamos juntos, suavemente, como acontece agora...
Perdão é pensamento.

Você realmente acha justo um pecador pagar por um pecado cometido em
pensamento, sem ter tido o prazer da real satisfação do ato realizado? Se pensar
é pecado, pecamos.
Se tivermos que pagar pelo pecado é porque merecemos o
gozo. E o perdão existe para o pecado consumado e não para a covardia de se
negar ao amor ou à verdade humana.

Mesmo com este seu estranho desprezo
não consigo sentir raiva de você. Foi um erro seu pensar assim. Desista. Mas
definitivamente a deixarei em paz. Não mais a agredirei com minha presença. Não
farei elogios, não ousarei olhar nos seus olhos, não te darei flores; mas nem
por isso te darei espinhos. Entendi que despreza a tudo proveniente de mim. Nada
te oferecerei, mas zelarei com carinho deste amor que sua amizade me
proporcionou.

Não ousarei olhar nos teus olhos porque sei que neles se
esconde a Sol verdadeira, que você tenta manter muda e prisioneira, mas que
emerge atraída pelo meu amor quando nossos olhares se cruzam. É a ela que eu
amo. E ela está morrendo sufocada. Você a nega socorro como se ela não fosse de
você, a melhor, a mais pura, a mais delicada e humana que em você existe. E
também mata a mim me fazendo impotente, e tendo que exilar dentro de mim meu
amor. Mas respeito sua vontade. Mas por favor, não me humilhe mais na frente das
pessoas, com sarcasmo, me atirando com desdém ao grupo ou aos braços de qualquer
destino. Principalmente na presença da minha filha. Não sei qual de nós sofreu
mais. Mas não se preocupe, ela e eu estamos nos superando. Ela me deu uma lição
de sabedoria dizendo para que eu te perdoasse, porque você não tem consciência
do que fez e da importância de ser amada. De ser amada por mim. Eu, bobo, chorei
emocionado.

Eu cresço, sol, a cada instante desde que te conheci.
Obrigada!

Bom dia Sol! Que seu brilho nunca se apague. É o que desejo e
desejarei sempre. Tomara Deus que você seja realmente tão feliz quanto diz ser,
senão estaremos perdendo a oportunidade de ser feliz e viver um grande amor, um
amor verdadeiro. Você disse que se não fosse casada ficaria comigo. Eu digo;
Estou te esperando, porque o amor não se deixa prender omisso por detalhes
banais.

Acaso um dia queira um amigo sincero, que te ama, sabe a quem
procurar.
O melhor amigo é aquele que assume que nos ama com toda as
verdades de ambos.



(ponto final; tenho que descer, sorte sua!)
03/07/006


Curiosidade
(de 03/07/006)

Parte da carta
ignorada:

Curiosidades: _ Estou queimando os pensamentos: textos que
escrevi desde que a conheci. Foram 69 ao longo deste período. Há alguns que
tenho pena de destruir. Mas destruí-los faz parte da estratégia para amenizar a
dor e cumprir minha promessa. Eu pretendia encaderná-los para te dar no final do
ano, ao término das aulas. Mas é bom que se tornem cinzas. A cinza é o símbolo
do que somos.

Que tal?
“Realmente Shakespeare tinha razão: “Até no
botão mais belo e perfumado se encontra o verme roedor, assim o amor devorador
nos consome e perdemos o viço na própria primavera”. Assim é que me sinto hoje;
uma espécie de flor e verme num caulículo viçoso.
01/06

“Quem?
De repente sou alguém, sou gente!
Poeta
Culto
Sou querido
E
inteligente,
De repente sou gente!

De repente sou gente, sou alguém!
Teu poeta querido
Inteligente...
Sou alguém
Sou gente.

Bem;
De repente,
Ela mente
Sou ninguém.” ... 16/05

“Já não tenho nenhuma dúvida, conheci o verdadeiro amor...
Ela é
linda!
Quando presente sinto paz,
quando ausente me atormenta.”
04/05

“Caricia?! ... Ao tocar uma flor fui picado por uma vespa.
Ciúmes?” 17/06
“Nos olhos, cujo olhar me dá paz e convida à vida, às vezes
vejo núncias de dor e morte.”
14/04/006

“Tudo que mais quero da vida
é abraçar, beijar, me entregar ao sol, embora receie queimar-me até me consumir
a cinzas!” 12/05/006.
Ironia hilariante, não? Não te perecem profecias?


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